Complexada com as questões sociais, venho, através desta, expressar todo meu sentimento de culpa e omissão com relação aos males sofridos pela sociedade. Sinto-me de mãos atadas diante de tantos problemas e frustrada a cada vez que não encontro soluções. Por isso, resolvi escrever-lhe, a fim de mostrar que o que separa pessoas por cor, etnia, condição social ou sexualidade são os muros invisíveis presentes em cada um.
Ao vir uma matéria televisiva sobre catadores de lixo, deparei-me com a seguinte questão: quem é o culpado por tal situação? E conclui que esse indivíduo deveria ser penalizado. Então, comecei a pensar os possíveis responsáveis por tamanha injustiça. A primeira imagem que visualizei foi a figura da presidente da República e dos demais governantes. Por que tato desvio dos cofres públicos, enquanto crianças e adultos passam fome? Não deveriam ser mais sensíveis?
Em seguida, imaginei as pessoas de classes altas. Que hipocrisia realizar campanhas e anúncios a favor de igualdade, e ao passarem em seus luxuosos carros por mendigos não enxergam nada além de objetos pertencentes a uma paisagem. E finalmente, após observar todos os lados, percebi que eu era o centro dessa ciranda de culpas que imaginei. E percebi que não há maior hipocrisia do que exigir de outros, o que sou capaz de realizar. Porque é bem mais cômodo por a responsabilidade no sistema, sem lembrar que somos nós quem o compomos.
Enfim meu caro amigo, digo apenas que o mundo á sua volta é uma imensidão pertencente a todos, sem barreiras ou limites. Os únicos muros existentes são os criados por nós, e, portanto, nós somos os responsáveis por destruí-los. Os membros de órgãos, de governos, de classes financeiramente favorecidas e um simples comerciante à beira de um sinal de trânsito são igualmente culpados como pessoas pela segregação presente na sociedade. Peço-lhe que me perdoe e que desbrave o mundo sem medo de ultrapassar os muros da desigualdade e do preconceito.
Carinhosamente,
Iris Brito Lopes."
Texto solicitado pelo professor de redação do Colégio Projeção em setembro de 2012, quando eu cursava o 3° ano do EM, aos 16 anos. Tema: "Os muros invisíveis".
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