Desde o surgimento das primeiras civilizações existe
comércio. As pessoas precisavam de produtos para manter-se e por isso faziam
trocas. Inicialmente davam aquilo que tinham em grande quantidade para receber
o que possuíam em escassez. Depois, passaram a estabelecer uma moeda de troca.
O que tinham valia uma moeda, e com essa moeda era possível obter o que
necessitavam. Já existia aí a ânsia pelo lucro, pois a ambição é inerente ao
homem.
À medida que as comunidades foram crescendo, as relações
comerciais foram se tornando mais complexas. Do escambo ao capitalismo, a
sociedade sofreu grandes transformações políticas, sociais e econômicas até
chegar ao modelo vigente atualmente. O capitalismo venceu todas as outras
doutrinas, e dominou não só os mercados, como também a população.
O consumo foi incutido na mente do ser humano de tal forma
que as relações interpessoais foram afetadas. Alguns individuos passaram a tratar seus parceiros como mercadorias; os
filhos abominam os pais que não lhes oferecem o status dissipado pela mídia; os
pais abominam os filhos que não aceitam seguir uma determinada carreira
profissional apenas pelo retorno financeiro. Vivemos sob uma cultura do
imediatismo, das falsas necessidades, do acúmulo de capitais e da diminuição de
relações afetivas.
Em resposta à pergunta “Como os senhores conseguem manter
um casamento que já dura 65 anos?”, um casal de idosos responde: “- Meu filho,
nós nascemos numa época em que quando algo quebrava éramos ensinados a
consertá-lo e não a jogá-lo fora.”. Se um aparelho apresenta um defeito,
acredita-se que seja mais viável comprar um novo. Paralelamente, se o cônjuge
não está satisfazendo as necessidades, a separação é tida como melhor solução.
Padre Zezinho diz em uma letra de música sobre a família que “o amor virou
consórcio, compromisso de ninguém”.
Não que o divórcio seja uma má solução. Ou que as pessoas
devam permanecer, apesar de infelizes, ao lado do seu companheiro. Ou ainda,
que todos precisem de uma vida matrimonial. Não estou aqui julgando isto. Mas que o consumo, a ambição e a tecnologia não interfiram nos sentimentos e nas relações humanas. Que o amor tenha valor e não preço!
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