O quarto da varanda sempre foi o menos popular da casa da minha avó. O quarto mais nobre é o dela, por um motivo simples e convencional: é o quarto de casal. O terceiro é o mais escondidinho, próximo à cozinha, com o telhado baixinho. Se houvesse um quarto para empregada certamente seria esse. No da varanda não há muita baderna, nunca houve. Ele sempre teve um ar mais sério, mais elitizado, no sentido de não ser tão frequentado. Não me lembro direito como era antes do meu avô ocupá-lo, mas sei que a presença dele deixou o ambiente ainda mais sério. Meu avô era um cara respeitável, íntegro, fazia valer suas regras. Era piadista, mas também sabia fazer cara fechada. Guardo suas lembranças com muita ternura e afeto, apesar do tempo ter levado algumas memórias. Ele também era um homem muito simples (como me orgulho disso), dizia que “se só temos dois pés, só precisamos de dois calçados”. Ele só tinha um pouco mais do que precisava. Cabia tudo num armariozinho amarelado de duas portas médias e mais duas pequenas. Em cima eu sei que ficavam os perfumes e mais alguma coisa que não lembro, ou não vi. Embaixo eram armazenadas as camisas, as bermudas e mais alguma vestimenta. Guardava roupas. Hoje guarda saudades.

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