domingo, 24 de novembro de 2013

Tira o pé do chão.



Falta em mim o que não pode faltar em nenhum sonhador: determinação e coragem. Muitas vezes meu medo de não realizar é maior do que o sonho. Sempre fui daquele tipo de pessoa que tem medo de arriscar. Que se priva, não se permite. Talvez por isso eu viva tão pouco. Nunca tive muitos namorados com medo da frustração. Não prestei muitos vestibulares com medo das frustrações. Nunca tive muitos sonhos com medo das possíveis frustrações. Lembro-me bem que algumas pessoas já me aconselharam a desfilar no Beleza Negra, concurso que elege a negra mais bonita de Coité. Antes de mais nada eu queria ver as concorrentes. E ao final das contas, nunca desfilei com medo de não ganhar. E assim sempre foi minha vida. "Qual seu sonho?" "Não, não tenho nenhum sonho." Por isso, resolvi fazer uma listinha de desejos. Ainda que um dia não os realize, tentarei!

sábado, 23 de novembro de 2013

Natal no Maracujá

Enfim vou realizar um dos meus grandes desejos: uma ação social numa comunidade carente. Em outubro, no dia das crianças, eu, meu namorado e uns amigos deles, fomos doar brinquedos no Povoado Sem Terra em Conceição do Coité. Os objetos foram coletados num colégio estadual por um professor e amigo nosso. Soube na hora da doação, e logo quis participar.Foi lindo!! Deixamos os brinquedos num mercadinho e fomos embora. Na saída do Povoado encontramos vários grupos de crianças e uma das pessoas que estavam no carro gritou: "Ei, tal mercadinho tá cheio de brinquedos pra vocês". Todas as crianças saíram correndo para o local. Nós os acompanhamos e entregamos os presentes. Foi bem legal! Mas ainda assim, eu queria realizar algo com mais trabalho, com um envolvimento maior. Então, no Natal, levaremos roupas e alimentos ao Povoado Maracujá, uma comunidade carente da mesma cidade. Estou radiante por essa atitude. Alguns impasses estão surgindo por diferença de interesse ente as pessoas envolvidas. Na verdade o impasse é entre eu e o restante do Grupo (sou sempre a problemática, de fato). Não tenho a pura intensão de pegar objetos e levar à uma comunidade. Quero conhecer as pessoas, quero ouvi-las e entendê-las. Não é uma festa. É um momento de interação entre grupos diferentes. E vejo nas pessoas o desejo da gandaia. Querem chamar muitas pessoas, pra fazer aquela algazarra, sabe? Então... Mas vou aceitar o que quiserem, afinal, sou minoria. Vou antes ao local conhecer as pessoas. E no dia vou fazer uma dinâmica de interação. Virão mais ações, muito mais!!

Existem coisas que, sozinhos, não conseguimos mudar

Eu sempre fico triste quando vejo alguém jogado na rua, à margem desse sistema. Masse eu ficar triste, só triste, eu serei mais uma a aumentar as tristezas no mundo. E a tristeza só consegue nos deixar fracos e inertes. O que o mundo precisa é de um exército de gente feliz, capaz de doar um pouco de si e do que sabe, capaz de fazer a diferença na vida de algumas pessoas. Meus braços não são do tamanho do mundo, mas foram feitos no tamanho exato de abraçar alguém."

Rita Apoena

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O que posso fazer para mudar isso?

Abri esse link hoje e fui tomada por duas sensações bem diferentes: de dor e de alegria. Me emocionei assim que abri a página e vi as imagens que, como o título já diz, são impactantes. Meu Deus, quanta coisa existe lá fora? Quanta dor e sofrimento a alma humana é capaz de suportar?! Pai, o que eu posso fazer para mudar isso? Minha vontade é de entrar em cada uma dessas fotos e ajudar cada uma dessas pessoas. Dar comida para as crianças da África, fazer um acordo entre países que guerreiam, enxugar as lágrimas de todo mundo e dar um abraço bem apertado em cada um. Engraçado porque eu sinto uma dor muito grande em meu peito. Uma dor maior que eu, acompanhada de muito choro. Eu fico me perguntando se só eu sou assim. Eu vejo muitas pessoas ajudando as outras. Mas as vejo sempre felizes e serenas. E realmente acho que a ajuda sempre vem acompanhada de felicidade. Mas por quê a tristeza e a culpa me invadem sem medidas? Uma vez uma amiga minha me explicou que, segundo o Espiritismo, a gente carrega uns sentimentos referentes à vida passada, como a culpa, por exemplo. Não acredito em reencarnação, mas sim em ressurreição. Entretanto, é inevitável atribuir essa dor à culpa. Culpa pelo quê? Não sei. Eu só sei que eu só  vou me sentir útil, humana de verdade, quando fizer o bem a alguém. Aí sim terei a alma lavada.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ói, sabe, repare, dispense

Como falar da minha nova vida sem falar dessa cidade maravilhosa? "Capital com jeitinho de interior" é a definição mais frequente de Aracaju, junto com "limpa e organizada". Até o momento não tenho o que contestar. Aracaju me encantou. Não troco pela Bahia, claro. Mas já tô bem adaptada por aqui. Ainda há coisas estranhas, como o nome da conta de energia,  jornal local, etc. Vez em quando me pego utilizado expressões do tipo "Tudo certo na Bahia" "É sócio da Coelba, é?" "Oxe, cadê o BA TV?" Mas aos poucos vou acostumando com a Energisa, com Sergipe, com o SE TV. Tô me acostumando com linguagem própria do Estado. Não é nada muito diferente do meu baianês, só acrescido de uma pitadinha de "ti" e "di" - na Bahia a pronúncia é "thi" e dhi" - e um ói, sabe, repare e dispense para incrementar as gírias.


*Esse texto foi produzido assim que cheguei aqui em Aracaju e estava salvo nos rascunhos. Como minha visão continua a mesma resolvi publicá-lo agora (4 meses depois). É bom porque explica a naturalidade meio estranha exposta na Bio desde site.

Consultas marcadas

Eu faço desse espaço minha agenda digital. Pôr as palavras pra fora é uma forma de terapia pra mim. Como uma consulta aos sentimentos, às ideias. É uma pena que durante quatro anos eu só tenha realizado 54 postagens (mais da metade no ano de criação do blog). Eu sinto muita falta de escrever - e de me consultar também. É uma das atividades que mais gosto de realizar. Não faço mais por pura preguiça. Mas vamos tentar mudar isso?! Para começar vou tentar publicar três textos por semana. Várias vezes já pensei em escrever um texto por dia. Até coloquei um lembrete na parede do quarto, mas não funcionou. Então vou tentar de forma gradual. Quando eu tiver cumprindo direitinho esse prazo eu aumento a dose de produção. Desde já me desculpo pelos maus textos a um possível leitor. Vou tentar fazer algo legal dentro da proposta de colocar nas linhas sentimentos e percepções pessoais. #Ir

sábado, 21 de setembro de 2013

T I N A com letras maiúsculas


Há uns três verões, como de costume, passei uma parte das férias em Salvador com minhas primas. Sabe aquele momento em que as primas de cada canto se encontram num lugar só? Então, acontecia isso comigo nos "dezembros" e "janeiros" na capital baiana. Era tudo como de costume, mesmas pessoas, mesmos passeios, mesmas risadas e mesmos estresses. Até que num dado ano, uma prima de Lage (interior da Bahia) levou para o encontro uma amiga surda e muda. Quando eu cheguei ela já estava fazendo sucesso! O comentário do momento era  essa "muda", como todos a chamavam. Ainda que pareça um tanto pejorativo, o termo era usado com todo carinho do mundo, porque Tina era especial. Estatura média, 22 anos, morena, cabelos castanhos, bonita, sorriso alinhadíssimo, pernas torneadas, vaidosa, manicure, aposentada, estudante, risonha, trabalhadeira e organizada. Taí tudo que eu ouvi e posteriormente constatei sobre Tina.
Deixava qualquer unha estragada - como a minha - num luxo só. Amava sair, e jamais sem batom ou lápis. E fazia tantas outras coisas que tanta gente faz. Mas era muda. Era o que fascinava. Porque o diferente ora repudia, ora fascina. E Tina era fascinante. 
Tina mora num interior sem estruturas para necessidades especiais, e por isso não tinha acesso à escola especial. Não dominava a língua dos sinais, nem a portuguesa. Grafava alguns pequenos nomes próprios como o dela, o da mãe, os dos irmãos, os de uns amigos  e o meu, o que me enchia de orgulho. 
O último verão foi marcante. Cheguei em Salvador e lá estava Tina me esperando com um presente bem embrulhadinho com o laço de fita com o meu nome escrito. Caramba, me emocionei. É comum receber cartas de um letrado, mas receber seu nome escrito por alguém que não tinha em mente mais que dez palavras era emocionante. E incrível que eu só a tinha ensinado uma vez, dois anos antes do presente. E ela nunca esqueceu. I R I S. Assim, em letras garrafais.
Esse ano também foi marcante porque foi o último no qual foi preciso mímica para estabelecer comunicação com Tina. Imitar objetos; passar minutos tentando descrever algo e não saber se ela compreendeu realmente; vê-la fazendo gestos e procurar alguma ligação e não achar. Nada disso existe mais, porque hoje eu conversei com minha amiga pelo bate papo do face. Me emocionei mais uma vez. Concordância perfeita, verbos adequadamente empregados, expressões propícias ao contexto e palavras que refletem sentimento, como amiga e saudade. E mais: um "sou eu mesma amigaaa" pra deixar bem claro que não havia ninguém falando (escrevendo) por ela. "Estou aprendendo libras. Já sei fazer alguns sinais", ela salientou. E eu respondi: "Vou aprender também. A gente vai poder conversar." 
Que prepotência a minha julgar a capacidade de Tina. Fiquei impressionada como em oito meses ela conseguiu dominar tão bem a língua portuguesa escrita, e os meios digitais. Me policiei em vários momentos, subestimando sua capacidade interpretativa. Usei as palavras mais fáceis possíveis, e todas as vezes ela me respondeu com um vocabulário estritamente formal. Agora, não vejo a hora de passar outro verão com Tina, dizer pra ela tudo que um dia eu não consegui expressar!

:)

"Porque a vida só se dá pra quem se deu, pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu." Vinícius de Moraes

"Só o riso, amor e o prazer merecem revanche. O resto é mais que perda de tempo... É perda de vida."

"Esqueça as fronteiras: amar nunca foi um país." Eu me chamo Antônio